Sephirots e a Obra dos Discípulos

Caros leitores,

A reunião de hoje (26-06-2012) aberta as 20h02 com a oração tradicional, nos trouxe conhecimentos relativos às Sephirots (conduzido pelo Irmão Moisés) e A obra dos discípulos (trecho retirado do livro de Lewis, 1987 – pg. 53 a pg. 60)

Sephirots

Sephirot é o plural de Sephira, palavra hebraica significando “número”. Na cabala, tem o significado de esplendor.

Sephira são os números de 1 a 10. Dez são os atributos de Deus. Esses 10 atributos estão representados na “árvore da vida” da cabala.

Na “árvore da vida” o Sephira de nº 1 é a coroa e é totalmente divino.

No alfabeto hebraico, cada letra tem um valor numérico. No caso da 1ª letra, seu nome é Aleph, sua transcrição pode ser as vogais A, E, I, O, U. O seu valor numérico é o nº 1, que cabalisticamente é primeira causa, é ativa, ou seja, é Deus.

Por isso em hebraico a letra A, que é o 1º ser que o ser humano articula, sendo a 1ª letra do alfabeto, exprime a ideia de unidade; o poder, a estabilidade, o homem como unidade coletiva, também ligada ao chakra de número 7.

Nesta reunião pedimos aos irmãos Rosa-Cruzes para que possamos divulgar algo de um livro de um saudoso Imperador. Esperamos que a intenção de todos seja a de propagar um ensinamento que as Ordens antiga e atual querem ou almejam. Lembrando a frase de um grande Frater que no momento de sua morte, recebeu um questionamento de seu discípulo: “Onde está a Rosa e a Cruz?”. A resposta é: “Nós somos a Rosa e a Cruz, representando a Rosa o espírito e a Cruz a matéria!”. Esperamos que nossos irmãos da fraternidade maçônica acompanhem com relevância o grau da maçonaria Rosa Cruzes. Por este motivo vamos divulgar o terceiro capítulo da obra dos discípulos.

A obra dos discípulos (Lewis, 1987 – pg. 53 a pg. 60)

“As atividades externas da Grande Fraternidade Branca durante a Era Pré-Cristã, estavam concentradas em um certo número de ramificações controladas por um grupo de oficiais supremos. Os Mestres Supremos da Grande Fraternidade Branca retiraram-se da atividade pública e, juntamente com um conselho de eminentes consultores, passaram a constituir o corpo esotérico conhecido desde então como a Grande Loja Branca. A primeira expansão da Fraternidade para o mundo ocidental originou-se nos grandes centros de sabedoria do Egito antigo, quais sejam Tell El Amarna, Tebas, Heliópolis e Alexandria. Os grandes mestres, sábios, ou Kheri-Hebs (altos sacerdotes), que dirigiam a instrução, eram iniciados da Grande Fraternidade Branca. Autorizaram eminentes sábios, como discípulos a viajar e difundir a Luz, por meio de organizações de várias denominações. Até mesmo as autoridades que não eram iniciadas reconheciam a grandeza da Sabedoria Secreta contida nos arquivos da Ordem e apelavam para que ela fosse franqueada às pessoas dignas conforme veremos. Philadelphus, o ptolomeu que foi o principal responsável pela fundação da primeira grande universidade em Alexandria, no Egito, mais ou menos no ano de 305 a. C., tentou a princípio, segundo se acredita, criar um centro de filosofia eclética. Com este objetivo, fez com que o orador ateniense e estadista, Demetrius, que era tambem seu amigo pessoal, convidasse as grandes inteligências, os filósofos da Grécia, para ensinar, para transmitir seu conhecimento a estudantes da Alexandria. Aparentemente, prevalecia a intenção de classificar esse conhecimento e selecionar aquilo que, na opinião de Philadelphus e seus associados, merecesse ser difundido. O entusiasmo que a grande escola inspirou nas mentes inquiridoras da época, alterou os planos. O programa foi modificado para pesquisa e promoção do conhecimento e, por outro lado, para a cuidadosa preservação, na grande biblioteca, da sabedoria de todas as épocas. Philadelphus teve notícias do vasto conhecimento das leis naturais e da filosofia Cósmica, que possuíam aqueles que eram iniciados das escolas de mistério Grande parte desse conhecimento parecia corresponder àquele que estava ele tentando introduzir em Alexandria, trazendo-o do Oeste (de Atenas). Suas ações subsequentes provam que ele percebeu que o conhecimento ocidental era em grande parte sincrético e proviera do Egito. Na verdade, relata-nos Platão que Solon obteve esta informação dos sacerdotes de Sais, que lhe contaram que todos os registros eram conservados no Templo de Neith. Uma tradição posterior revela que Solon, Tales e Platão, visitaram o grande colégio de Heliópolis, tendo o último ali estudado.

Havia um contemporâneo de Philadelphus, chamado Manetho, Alto Sacerdote de Heliópolis e homem erudito, que era também ilustre escriba da Grande Fraternidade Branca e tinha acesso aos ensinamentos secretos da Ordem. Manetho era ainda perito em escrita egípcia antiga, hieroglífica, que, no Terceiro Século a.C., estava se tornando arcaica, de moodo que nem todas as pessoas a podiam ler. Nessa época, liam os egípcios uma versão corrente dos escritos antigos, o demótico, sendo que o grego estava se tornando ainda mais popular. Philadelphus incumbiu Manetho de compilar uma história do Egito e, especialmente, um texto da filosofia mística das Escolas Secretas da Grande Fraternidade Branca e dos Rosacruzes. Esse conhecimento, conforme se relata, estava contido principalmente nas inscrições hieroglíficas da biblioteca dos sacerdotes de Ra. Deve ser lembrado que Amenhotep IV (Akhnaton) declara ser Ra, o Sol, manifestação física ou símbolo do grande Deus único. Portanto, essa biblioteca deve ter contido as grandes verdades de sua religião monoteísta, além daquelas descobertas pelos místicos de que se cercara ele em Tell El-Amarna. Muito do que sabemos da história exotérica ou profana do Egito se deve a essa compilação de Manetho. Na verdade, admite-se geralmente que Plutarco obteve grande parte de suas informações dessa fonte. Em um dos livros de Manetho, intitulado Sothis, de que só existem fragmentos em escritos de outros, é publicada a seguinte carta a Philadelphus, do próprio Manetho, relatando-lhe seus esforços para compilar a sabedoria antiga:

“Precisamos atentar cuidadosamente para os pontos que desejais que examinemos, a fim de respondermos às vossas perguntas quanto ao que acontecerá ao mundo. Segundo as vossas ordens, os livros sagrados escritos pelo nosso antepassado, Hermes, aquele que foi Três Vezes Grande, os quais ora estudo, ser-vos-ão apresentados. Adeus, meu Senhor e Rei”.

A maior obra de Manetho foi sua história egípcia, composta de três volumes e escrita em grego baseado em um total conhecimento das fontes de informação egípcias. Fragmentos dessa obra nos são transmitidos nos escritos de Flavius Josephus e Julius Africanus. O primeiro é uma autoridade mais digna de confiança e menciona Manetho em seu tratado, Oposição a Apion. Na História do Egito de Manetho, há uma interessante referência a Moisés, que demonstra ter este sido também um grande iniciado da Grande Fraternidade Branca do Egito, tendo transmitido seu conhecimento ao seu povo, de maneira velada. Eis o excerto em questão:

“Moisés, filho da tribo de Levi, educado no Egito e iniciado em Heliópolis, tornou-se Alto Sacerdote da Fraternidade no reinado do Faraó Amenhotep. Escolhido pelos hebreus para ser o seu chefe, adaptou às ideias do seu povo a ciência e a filosofia que aprendera nos mistérios egípcios; encontram-se provas disto nos símbolos, nas Iniciações, bem como nos seus preceitos e mandamentos. As maravilhas que Moisés narra como tendo ocorrido no topo do Monte Sinai são, em parte, um relato velado da iniciação egípcia, que ele transmitiu ao seu povo quando estabeleceu um ramo da Fraternidade Egípcia em seu país, do qual descenderam os Essênios. O dogma do “Deus único”, que ele ensinou, era a interpretação da Fraternidade Egípcia e constituía ensinamento do Faraó que fundara a primeira religião monoteística conhecida do homem. As tradições que ele assim estabeleceu, eram totalmente conhecidas apenas por algumas pessoas, sendo preservadas nos arcanos das sociedades secretas constituídas pelos Terapeutas do Egito e pelos Essênios”.

Quase cinco séculos mais tarde, durante o que se poderia chamar de período de declínio do misticismo ou da filosofia mística no mundo ocidental, foi enviado um emissário, do Egito para Roma, a fim de conquistar o coração e a mente do povo com um misticismo verdadeiro, livre das superstições dos cultos e capaz de moderar o frio intelectualismo que ali florescia. Seu grande trabalho é geralmente denominado Neo-Platonismo, porém, corresponde às doutrinas Rosacruzes do misticismo, tanto anteriores como subsequentes àquela época. Esse grande mestre foi Plótino. Nasceu em Licópolis, no Egito, no ano 205 (?) da nossa era. Durante onze anos, foi discípulo pessoal de Ammonius Saccas, na grande escola de Alexandria. Ammonius Saccas transmitiu-lhe as doutrinas de Platão e foi intermediário para a iniciação de Plótino nos círculos internos da Grande Fraternidade Branca. Foi ele cuidadosamente treinado e preparado para introduzir um aspecto da filosofia platônica com que o mundo estava geralmente familiarizado, porém, combinado com o verdadeiro misticismo, a verdadeira filosofia oculta das Escolas Secretas. Essa combinação era necessária, pois, se ele tivesse tentado apresentar esta última filosofia em sua forma original, naquela época, ela teria sido rejeitada. Dando-lhe a aparência de um novo tipo de filosofia platônica, induzia o povo a pesquisá-la, tornando-o intrigado com a sutil beleza desses ensinamentos orientais.

Plótino viajou muito, participando de uma expedição militar à Pérsia, de modo que pôde aprender, em primeira mão, a religião e a filosofia dos persas. A influência das crenças persas sobre a obra de Plótino se evidencia no seu dualismo, que considera o bem e o mal como uma força única, e que é reconhecido nos ensinamentos místicos dos Rosacruzes atuais. Chegou ele a Roma no ano 244 e fundou sua escola como parte da ampla atividade externa da Grande Fraternidade Branca. Foi universalmente reverenciado, não só por sua sabedoria como também por seu caráter, e altamente respeitado pelo Imperador Gallienus e sua consorte Salonina.

Notável entre as fases da expansão da obra dos Rosacruzes a outras terras, foi o estabelecimento de dois ramos conhecidos como os Essênios e os Terapeutas. Os Essênios constituíram o grupo que se deslocou para a Palestina, adotando um outro nome a fim de ocultar sua atividade inicial; e, os Terapeutas, formaram um ramo semelhante, estabelecido para o mesmo propósito, na Grécia.

Na Palestina, os Essênios fundaram uma comunidade de membros e assistentes, na Galiléia, setor não judaico ou gentio do país, onde possuíam muitas residências; construíram seu principal mosteiro, com um templo, no topo do Monte Carmelo, onde Elias, na qualidade de descendente da Grande Fraternidade Branca, fundara antes um retiro e ensinara muitos dos mistérios da Fraternidade.

Pouco antes da era Cristã, fundara também a Grande Fraternidade Branca um novo mosteiro, com um templo e outros prédios, como grande centro de suas atividades, em Heliópolis. Esse templo era conhecido como o Templo de Helios, sendo às vezes denominado “Templo do Sol”. O intercâmbio entre o templo de Heliópolis e o do Monte Carmelo era íntimo e frequente, de modo que muitos dos filósofos que viajavam de vários pontos da Europa para o Egito, a fim de estudar, permaneciam por algum tempo no Monte Carmelo.

Bem próximo ao nascimento de Jesus, a grande biblioteca e os registro mantidos em Heliópolis foram transferidos para o Monte Carmelo, ao mesmo tempo que a Fraternidade Essênia, na Palestina, juntamente com outros ramos da Grande Fraternidade Brancam preparavam-se para a vinda do grande Avatar que seria a reencarnação de Zoroastro, famoso Avatar da Fraternidade, que vivera séculos antes.

O nascimento de Jesus no seio de uma família de gentios que vivia na comunidade essênia, na Galiléia, concretizou as expectativas da Fraternidade, de modo que, desde então, suas atividades externas e internas passaram a girar em torno do ministério do Mestre Jesus. Os detalhes acerca do nascimento, da preparação, do ministério e dos fatos culminantes da vida do Mestre Jesus, são apresentados em uma outra obra, intitulada A Vida Mística de Jesus, em que são apresentados pormenores extraídos de registros dos Essênios e da Grande Fraternidade Branca, que nunca haviam sido publicados.

Ao término da vida de Jesus, o Cristo, seus discípulos e os altos oficiais da Grande Fraternidade Branca planejaram desenvolver o novo ciclo de iluminação e revelação de doutrinas que ele introduzira, sendo então fundada uma congregação externa, um movimento público, conhecido como Igreja Cristã. Este movimento se transformou gradativamente em uma organização pública mais ou menos independente. Embora a apoiasse, e todos os seus principais obreiros, tais como os primeiros apóstolos, fossem homens escolhidos da comunidade Essênia de gentios, na Galiléia, a Grande Fraternidade Branca não adotou a Igreja Cristã como parte de suas atividades, pois, estava interessada na obra de todos os movimentos religiosos, em todas as regiões do mundo, sem se tornar parte integrante de qualquer deles.

Algumas centenas de anos após a fundação da Igreja Cristã, e enquanto estava ela sendo ativamente difundida pelos representantes da Grande Fraternidade Branca, nas regiões em que as doutrinas, os ensinamentos, poderiam trazer o maior benefício, o Templo Supremo e mosteiro, assim como a biblioteca e os registros arquivista, foram transferidos do Monte Carmelo para novos prédios construídos numa região isolada do Tibet, onde a Sede dos Grandes Mestres da Organização foi mantida por algum tempo.

Durante a época da organização do movimento cristão, e no transcorrer dos séculos seguintes, o círculo interno da Grande Fraternidade Branca continuou a operar como escola não sectária, não religiosa, de ensinamentos místicos, ocultos e científicos. Todas as atividades externas, tais como o movimento essênio, o cristão, e o de corporações semelhantes em vários países, representavam a congregação externa da Grande Fraternidade Branca, ao passo que as escolas e os templos secretos, com seus altos sacerdotes e instrutores, além do grande corpo de estudantes, representavam a congregação interna. Através dos tempos, até o presente, a Grande Fraternidade Branca tem continuado a operar dessa maneira dual.

Foi durante o período de luta e discórdia que o movimento cristão enfrentou, que a Grande Fraternidade Branca acreditou ser aconselhável o estabelecimento de uma outra organização, composta quase exclusivamente de homens, denominada Militia Crucifera Evangelica. Seu propósito era o de proteger a cruz, como símbolo místico, contra seu emprego errôneo por parte daqueles que procuravam realizar cruzadas de perseguição às pessoas que não se inclinavam a aceitar uma interpretação sectária do seu antigo simbolismo. É na instituição dessa Militia que se encontra a origem de todas as organizações militantes que se tornaram defensoras da fé nos anos posteriores. Todavia, é digno de nota o fato de que a Militia Crucifera Evangelica nunca se tornou uma corporação ativa de executores ou cruzados, mas, simplesmente, de silenciosos defensores que juravam nunca desembainhar a espada, exceto em absoluta defesa pessoal. A organização se desenvolveu muito em séculos posteriores, não como organização verdadeiramente militar, e sim como um grupo de pessoas que defendia o emblema Rosacruz e a cruz, com sua força moral, ao invés de usar qualquer ação física.

A Militia Crucifera Evangelica continua a existir hoje em dia, no mundo inteiro, sob a forma de um pequeno, porém, corajoso e ativo corpo, perpetuando seus ideais tradicionais. Em julho de 1940, os membros da jurisdição americana, devidamente estabelecida por decreto europeu, reuniram-se em San Jose, Califórnia, para o seu primeiro conclave oficial no Ocidente. O principal objetivo dessa convenção foi a adoção de um meio para defender o cristianismo e os conceitos místicos, numa época em que a humanidade era mais uma vez atribulada por uma guerra mundial.

Durante os séculos que precederam a Era Cristã, e mesmo daí em diante, a Grande Fraternidade Branca, com seus núcleos de sabedoria, suas bibliotecas e seus mosteiros, constituiu-se em centro de peregrinação para grandes inteligências que buscavam a iluminação e o máximo progresso ético e cultural. Os registros da Fraternidade estão repletos com dados sobre a vida de muitos personagens eminentes, conhecidos na história geral, que foram estudantes nos templos de mistério da organização, no Egito, na Palestina e em outros lugares. Mais tarde, apresentaram eles esboços de filosofias e princípios modificados, que o público pudesse compreender e aplicar, tornando-se autores de livros que se têm constituído em valiosa contribuição para o avanço da sabedoria.

Entre os primeiros filósofos que enriqueceram a filosofia Rosacruz, encontravam-se os colaboradores de Hermes: Mena, Busires, Simandius, Sesostris, Miris, Sethon, Amasis, ADfar, Alexandrinus e o Rei Calid.

Havia também “Maria Hebraeae”, mulher hebréia que se supõe ter sido Miriam, irmã de Moisés.

Após a viagem de Pitágoras para a Itália, muitos partiram da Grécia e de outras terras para serem iniciados no Egito, daí retornando para seus países de origem, ou dirigindo-se para outras partes, a fim de estabelecerem ramos da escola mística e nesses lugares tornarem-se Mestres e Oficiais.”

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