O que são antigas tradições?

Caros leitores,

Na reunião de hoje (08-05-2012), aberta as 20h10, iniciamos a discussão sobre o que são antigas tradições? A palestra sobre o assunto foi ministrada pelo Irmão Laércio da Loja Maçônica TAO, nº 122.

Palavras do Ir.’. Laércio:

“O que são antigas tradições?

As civilizações antes de se organizarem em grupos, de se fortalecerem e trazerem para nós a história, elas buscaram de alguma forma sondar o que chamamos de insondável. Dentro do livro maçônico do Aprendiz Maçom é dito: Não é mérito do Maçom ou do Filósofo crer no G.’.A.’.D.’.U.’., pois até o Ser primitivo, aquele selvagem, quando observando a grandeza ao seu redor, inspira em seu interior que há criador.  No decorrer do período em que as pessoas começaram a se organizar em sociedade, eles precisavam trazer até nós algo palpável (aceito pelos cinco sentidos, uma razão de ser) e que fizesse parte da nossa civilização.

Esta razão de ser aceita pelos cinco sentidos é muito útil, porém também nos escraviza, pois a partir do momento em que compartilhamos uma verdade considerando-a como absoluta e única, o receptor soma-a com outros conhecimentos que possui e transforma-a em relativa. Isto quer dizer que esta verdade absoluta, quando observada somente pelos cinco sentidos, é uma ilusão ao que é palpável, ou seja, devemos verticalizar o nosso ser. Dentro da Loja maçônica, analogamente, podemos dizer que o avental do Aprendiz Maçom possui a aba levantada, formando os 3 pontos do grau, formando a santíssima trindade cristã, a unidade, simbolizando o espírito, enquanto a parte abaixo forma o corpo material. Para um simples cidadão que a olha, vê logo que a abeta está para cima, mas para o verdadeiro iniciado ela está para o exterior, para baixo, pois embaixo você terá o seu trabalho, a parte material simbolizada pelo número quatro (o corpo). Quando a abeta está para baixo, apontando para o centro, na verdade ela está para cima, apontando para o centro, o interior do templo.

Há dois tipos de ensinamentos no mundo: o primeiro é fazer leitura direta das coisas – sentido literal, leitura da superfície, aquilo que é palpável aos cinco sentidos, ou seja, você está vendo aquilo que está fora, sai por aí descrevendo uma árvore, uma gravura e se aperfeiçoa nisto, porém superficialmente, focando apenas na descrição das coisas e objetos. Porém há um paradoxo toda vez que você “vai para fora”, pois acaba entrando em você por meio do pensamento, mesmo que superficialmente, é um exercício inconsciente do raciocínio para a leitura do mundo.

O segundo pode-se ser explicado pela análise da simbologia e alegoria, como exemplo podemos citar que a água tem significado análogo às emoções e desejos, segundo a antiga tradição, ou seja, não enxergar a água no sentido literal, mas sim aprofundando o raciocínio.

Fazendo menção a uma parábola que diz, quando Jesus estava na água com os pescadores e o mar estava tumultuado e eles queriam pescar porém estavam apavorados pois poderia virar a canoa, disse Ele: “homens de pouca fé” e manda lançar a rede e então pescam os peixes e Ele sai andando sobre as águas. Qual vantagem você teria se o Super-Homem viesse até aqui e disseste: “Homem de pouca fé” e saísse voando? Do outro lado você numa condição física de não voar, poderia voar apenas mentalmente ou criando condições mecânicas de voar. Mas qual a vantagem teria? Normalmente a pessoa que lê isso no sentido literal diz comumente que Jesus andava sobre as águas. A água para as antigas tradições, traz algo que está no nosso psíquico relacionado às emoções e aos desejos. Agora não seria mais palpável dizer que naquele momento que estamos parados, calmos, serenos e todos olham minha condição, porém dentro de mim há um mar revolto, encontro-me apavorado, estressado e repentinamente o meu mestre interior fala: “calma, tenha fé!”, e eu consigo andar sobre meus desejos, sobre tudo o que está me tirando do prumo naquele momento.

Quando entramos em uma escola iniciática, entramos para aprofundar este conceito. Não desvalorizar o que foi aprendido no literal, porém não crer naquilo como única verdade, pois nosso caminho é tornarmos pensadores. Podemos dizer que nunca Deus desceu em corpo e alma para trazer ao rebanho a palavra da verdade. Pode-se dizer também que lá no passado o Ser pensando sozinho, olhando a natureza como um selvagem, como um possível filósofo, ele concebeu o “Educere”, o tirar de dentro.

Quando entramos em Loja, em nenhum lugar é representado o número 1. Na Loja de Delfos há uma mensagem, conhece-te a ti mesmo, sem excesso. O um se manifestou e se confunde com a unidade. Os antigos diziam o Delfo, a vontade de expandir.

A tradição parte de um princípio que o homem parou, contemplou e levitou. Ele se reuniu assim como nós, que não estamos a sós. A soma das energias transcende o número. São sete energias participando da reunião hoje, mas se tivermos um vidente aqui, este enxergará inúmeras energias.

O homem do passado, no que conhecemos por Ásia, surgiu a tradição do TAO, no Japão o Xintoísmo, no Oriente o Hermetismo, o princípio da tradição da Cabala Judaica e dentro do nosso templo há um livro, baseado na anatomia.

Quando o cidadão tira de dentro pra fora o pensar, podemos dizer que ele falou com Deus. Ele concebeu que existia o insondável, olhando tudo tão grandioso, porém insondável, pois não era palpável pelos cinco sentidos, ou pouco era percebido por eles. Quando manifesta o número 1, foi concebido, enxergou-o como unidade, tornando-o palpável, porém o insondável ainda não foi tocado. A esta concepção foi dado o nome de Karma, que é a unidade que se confunde com tudo e com o todo (Deus). O Karma necessita de manifestação. As infinitas manifestações do Karma geraram o Dharma. Tudo isto está dentro de você, de uma pedra, em cada unidade. A vida é o todo, se manifestou. Se colocar um minério no microscópio é possível observar o movimento, é possível verificar que tudo está cheio de vida. A concepção maior, como veio tudo do Karma e tudo foi tirado da unidade, pode-se dizer que você e a pedra são unos, pois expressam a expansão da unidade que está querendo manifestar a vida. Esta é a origem das tradições, todas as tradições tiveram origens, mas não havia registro de forma escrita, mas sim uma ritualística passada de geração em geração. Isto significa que a tradição falada entre nós vai crescendo, pois eu não ensino, mas aguço a manifestação do seu Karma e de cada um que aqui está sendo assim a manifestação do todo.

Quando andamos na rua e olhamos para uma flor bonita e sentimos seu perfume, outro por ali passará e não a verá, pois está no tormento, pois ainda não andou sobre as águas. Mas quem andou sobre as águas verá. Naquele momento perceberá que os 5 sentidos permitem contatos fabulosos com a vida.

Dentro do templo maçônico isto é visto da seguinte forma: quando o Dharma se manifesta por meio do Venerável Mestre, do Irmão Orador à sua direita e do Irmão Secretário à sua esquerda. O Orador é a lei, pois a manifestação é feita ordenadamente,  dentro de uma lei (Moisés) e é registrada em uma história, isto está lá no Karma que ainda não está manifestado. Quando ele irá manifestar, ele expressa isso de uma forma inversa, é como olhar no espelho e ver a imagem ao contrário da posição em que está. Analogamente temos o cérebro (lado direito e esquerdo) que é uno. O lado esquerdo está com a lua e o direito com o sol. Quando reflete a lua, esta é invertida de posição, do Oriente para o Ocidente.

Há três joias em Loja: A régua é do Venerável Mestre, o nível do 1º Vigilante e o prumo do 2º Vigilante, isso é imutável, pois quando há manifestação da régua, esta se manifesta no tempo e quando ocorre a manifestação nos cinco sentidos temos as 24 horas, porém ela é infinita, pois forma uma linha reta. O 1º Vigilante se manifesta no material, no espaço, enquanto o 2º Vigilante se manifesta no espírito. Comparando com o cristianismo, pode-se dizer que o Pai manifesta no filho, em sua parte mais material. Neste momento você viaja pela água, pelos desejos, paixões. É necessário dominar a água, as emoções e os desejos. A primeira viagem é pela Terra, ou seja, flui nos instintos, pois está sob os domínios do 1º Vigilante ele detém o Nível e a pedra bruta. Esta pedra naturalmente quer ser polida, pois dentro do ser ele quer se polir, se manifestar, pois nossas medidas são infinitas para o pensamento. A matéria está manifestando um ser que transcende a matéria, pois ele é luz.

Há um mito que diz que numa era glacial de muito gelo, os porcos espinhos viviam em grupo, saiam para caçar e voltavam para dormir juntos. Para se aquecer, ficavam próximos uns dos outros até que acabaram por se espetar e ferir um ao outro. Saíram da caverna para viver cada um por si, porém sem sucesso, devido à falta do próximo para a caça. Reuniram-se novamente e ajustaram o convívio para a lei da sobrevivência.

Quando você está no plano horizontal trabalhando para o crescimento na “fileira de Moisés”, libertando-se das asperezas naturais, lapidando-se, é descoberta uma qualidade de vida: “quão bom e suave é que os irmãos vivam em união”.

Quando passa pelo Nível (1º Vigilante) inicia-se um processo de trazer a abeta, que está levantada no avental, para baixo. Esta é abaixada instintivamente, pois a lei te empurra para a lapidação e chega num consenso em que começa a aparecer o prumo do Companheiro, que passa a verticalizar o que possuía como um animal. Começa a descobrir que a audição não depende só de ouvir, pois os cinco sentidos estão, além disto, inicia-se a verticalização. Por exemplo, Beethoven compunha surdo, que escutava sem ter audição, ou seja, não há somente cinco sentidos. Esta verticalização transcende os cinco sentidos. O sentido que está além, ainda é uma frequência de interações, isto é, aquele ser humano que lá no passado concebeu e começou a observar ele e outros, interiormente e exteriormente e começou a formar uma ideia, a qual começou a escrever no rio Nilo, no céu, em territórios que determinavam como sagrados, ou seja, o primeiro livro, aí olhando para o este céu percebe toda a mitologia grega. O cidadão passa a entender que o que foi concebido do todo por ele não é nada, neste momento ele se concretiza como filósofo. Quando observa que tudo o que concebeu é uma verdade absoluta, torna-se religioso. Os iniciados olham o livro e dizemos que ele é o Livro da Lei (corpo humano). Quando este é concebido, se verificam inúmeras informações, possibilidades e descobertas, pois ele não é uma verdade absoluta conclusiva, “este é o caminho”. Quando a tradição foi mantida, escreveu nas suas crenças, que formaram a mitologias, sob o ponto de vista acadêmica, formou a filosofia, que dos filósofos era muito complexa.

Platão diz que epistemologia é crença e conhecimento. À luz da razão, ele criava algo cheio de razão. Quando começa a subida da escada de Jacó, isto é desvendado, pelo estudo da lógica, gramática, astrologia e demais ciências vistas pelo Companheiro Maçom.

No mestrado maçônico, os quatro elementos estão unidos ao conhecimento e crenças em busca do equilíbrio.

Quando o cidadão observa o Karma que é único e dali começa a nascer tudo, percebe-se que aquilo é um só. Quando você está nascendo, aquele momento reflete em você. Este é o seu momento. Você já não é mais filho da Terra, mas sim do Universo.

A maçonaria é uma didática tão completa, proveniente das antigas tradições. Quando o homem concebeu que o ensino direto não era tão eficiente e percebeu que os rituais eram complexos por demais, decidiram manter as antigas tradições longe do mundo profano. Porque ficar longe do mundo profano?

Quando em determinado tempo apropriado ele reapareceu, foram convictos da palavra e não disseram: “inventamos”. É o período do “renascimento” e dos “iluministas”, porém mais superficial e acadêmico.

O mundo está reescrevendo a própria história.

O Guarda do Templo normalmente é um Mestre Instalado, seguindo a tradição, não necessariamente o Past Master. A coluna J tem o prumo da verticalização e em toda reunião fica em pé, conforme a tradição. Traz a harmonia, por meio da música e o organizador do caos por meio do Mestre de Cerimônia e somente o Guarda do Templo pode abrir a porta do Templo, controlando qual pensamento entra e qual sairá dali, do TEMPLO DO HOMEM.”

Esta entrada foi publicada em Palestras e marcada com a tag . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta